Monday, November 01, 2004

O empresario que achou A mina, O lugar e agora é faxineiro...

O nome do cara é Felipe, estuda comigo na APC, é (era) do Rio e pelo modo que se veste e fala, achei que já tinha uns 28, 29 anos. Mas não. O individuo tem a minha idade, já é casado (com a primeira namorada, que conheceu quando tinha 16 anos e ela 14) e tem uma filha de 4 anos. Eu sou uma ameba perto dele. Não chego nem aos pés da maturidade e da experiência de vida que ele tem. Por não ter nem conhecido o pai e ter perdido a mãe quando ainda criança, ele não teve “danoninho e mesa posta todo dia” como eu. Teve que saber se virar e batalhar desde cedo. Era pobre, mas munido de uma grande inteligência e, por isso, total autodidata. Não tem canudo, mas trabalha com programação e sabe mexer com quase todos os softwares existentes no mercado. No Brasil, ele não tinha uma, mas duas franquias de uma escola do tipo “SOS Computadores” que abriu em parceria com um amigo - “Esse meu amigo entrou com a grana e eu com o conhecimento, resolvemos comprar as franquias e nos demos bem! Em apenas alguns meses o dinheiro investido foi recuperado em 3 vezes!”.
Quatro anos atrás, quando sua filha tinha acabado de nascer, resolveu vir morar por um tempo na Austrália. Não conseguiu ficar nem 1 mês. Passou 28 dias chorando todos os dias morrendo de saudade da família - “Foi horrível! Eu dizia por telefone pra minha mulher que tinha medo da minha filha não me reconhecer quando eu voltasse!”. Por isso voltou, mas dizendo pra si mesmo... “Esse eh O lugar! É aqui que quero cuidar da minha família!”.
E assim fez... Alguns meses atrás vendeu a sua parte das franquias e com a grana voltou pra Sydney, mas dessa vez trazendo na bagagem a mulher, a filha e a sogra - “só pra minha mulher não sofrer tanto com a mudança”. Hoje, 2 meses aqui, trabalha como faxineiro numa empresa igual a que tinha no Brasil - “Minha idéia é começar de baixo nessa empresa e aos poucos ir mostrando meu conhecimento! Se não der certo, eu tento outro lugar. Mas aqui tudo é mais fácil e tenho estabilidade. Pro Brasil eu não volto mais. Eu quero qualidade de vida pra minha família e aqui o lugar!”.
Enfim... Isso é só um pequeno resumo de tudo oq ele me contou. Ficamos o intervalo inteiro entre uma aula e outra conversando e, puta merda, o cara é interessante e tem muito oq ensinar. Agora ele ta tentando se estabelecer e com o curso que ta fazendo comigo, pretende conseguir diploma e assim conseguir pontos necessários pro governo australiano dar cidadania pra ele e pra família - “Só preciso de um diploma australiano e deixar o inglês bom o suficiente pra passar no teste da imigração. Mas o mais importante eu já tenho: família! Eles adoram essa historia de ‘papai, mamãe e filhinhos’. Por isso lhe dou um conselho, meu amigo... Quer ficar na Austrália pra sempre? Case! É o melhor negocio!”.